Uma visão "não pessimista" do euro

Por Demitrius Cesário Pereira (*)

O futuro da União Europeia tem sido apresentado por grande parte dos analistas como bastante sombrio. Minha tendência é discordar de tal visão, uma vez que a transparência sempre foi considerada uma característica fundamental desse processo de integração. Além disso, a crise econômica atual vem sendo apontada como um dos maiores obstáculos já enfrentados pelo bloco.

Há, ainda, aqueles que culpam o próprio Euro pela crise, quando, na verdade, parece mais fazer parte da solução. Ações conjuntas já foram realizadas e sinalizam para uma maior integração entre os europeus, especialmente os membros da zona do Euro. As grandes potências da região, França, Alemanha e Itália, chegaram a anunciar a intenção de negociar um novo tratado reformando a UE, intensificando a cooperação e criando novos instrumentos para enfrentar e evitar os problemas que vêm ocorrendo.

Tal declaração ocorreu logo após o novo Primeiro-Ministro italiano, Mario Monti, assumir o governo, em uma reunião entre ele, o Presidente francês Nicolas Sarkozi e a chanceler alemã Angela Merkel, na cidade de Estrasburgo, na França, sede do Parlamento Europeu. Monti, como ex-Comissário europeu, conhece a fundo a UE, além de ter sido escolhido para liderar a Itália na recuperação da confiança dos credores, mostrando que tem condições para pagar a maior dívida do continente.

Antes disso, ainda, outro “Super Mario” já havia assumido o comando do Banco Central Europeu, o também italiano Mario Draghi. Vale ressaltar, o empenho do FMI (Fundo Monetário Internacional) que vem mostrando disposição em ajudar a Europa a enfrentar a crise.

De qualquer maneira, a cooperação internacional tende a se intensificar no futuro. No âmbito da UE, a integração pode superar a área econômica, extrapolando para a área política, em que a perda de soberania parece mais difícil.

O Reino Unido, apesar de ainda manter reservas em relação ao Euro, tem demonstrado disposição em avançar nessa área, inclusive em segurança, talvez para compensar seu distanciamento econômico. A fragilidade europeia em lidar com conflitos internacionais, como foi o caso da Ex-Iugoslávia, parece ter convencido os britânicos a investirem mais esforços no setor militar.

Claro que os interesses dos países menores da UE também devem ser levados em conta, mas a disposição dos “quatro grandes” é fundamental para prevermos um ano novo ainda mais europeu.  

(*) Demetrius Cesário Pereira é professor do Curso de Relações Internacionais das Faculdades Integradas Rio Branco, bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Tuiuti do Paraná e Direito pela Universidade Federal do Paraná. Especialista em Direitos Humanos pela USP e Relações Internacionais pela Universidade Cândido Mendes. Mestre em Relações Internacionais pela Unicamp/Unesp/PUC-SP. Doutorando em Ciência Política na USP.