Empreender implica um investimento pessoal

Por Márcia Regina Bartels (*)

Ao abordar a palavra educação, intuitivamente fazemos sua associação ao ensino, aprendizagem, escola, família, instrução etc. Contudo, o conceito de educação está sendo ampliado, alcançando outros espaços formais e não formais. Assim, quando pensamos sobre a ideia de empreendedorismo, geralmente fazemos associação à capacidade de criar novas oportunidades, gerir empresas, alcançar sucesso, gerar emprego, renda e riqueza.

Mas empreendedorismo vai muito além do que tudo isso pressupõe; implica na realização do indivíduo por meio de atitudes de inquietação, ousadia em busca de um crescimento pessoal e coletivo, através do desenvolvimento da capacidade intelectual para investigar e solucionar problemas, tomar decisões, ter iniciativa, autonomia e orientação inovadora, competências que cada vez mais são exigidas na formação profissional e valorizadas no mundo do trabalho.

De acordo com Fernando Dolabela, em Pedagogia empreendedora (2003), o educador deve assumir o lugar de protagonista no processo. Inovar, como atividade inerente ao empreendedorismo, torna-se uma maneira de aprender a ser empreendedor. Estabelecer uma relação entre inovação e empreendedorismo é uma forma de promover a educação empreendedora.

A Pedagogia Empreendedora conta com a participação ativa da gestão e educadores, busca reconhecer e trabalhar as individualidades capazes de, dialeticamente, “refazer” a realidade que não mais atende aos interesses da coletividade. Para que isso se torne possível, é imprescindível que educadores invistam em seu crescimento e desenvolvimento profissional, buscando uma relação com a realidade que seja questionadora, inovadora e reflexiva.

A Pedagogia Empreendedora é um ambiente para a construção conjunta do conhecimento, é um ambiente de preparação para a vida. Condições favoráveis para o educando desenvolver o sentimento de competência e fortalecer a autoestima que advêm da sua imersão em um sistema de aprendizagem que tenha como eixo as relações que ele estabelece consigo mesmo e com o mundo, possibilitando uma formação significativa, que leva em conta suas bagagens existencial, cognitiva, afetiva e social.

Enfim, empreender implica um investimento pessoal, um trabalho livre e criativo sobre os projetos próprios, sustentáveis, com vista à construção de uma identidade, que é também uma identidade profissional, e nesse processo alcançar o objetivo principal da escola, que é o de desenvolver uma aprendizagem de qualidade, onde o educando pode ser inserido e ter acesso a diversos saberes.

(*) Márcia Regina Martins Bartels é consultora educacional da FTD Sistema de Ensino.