Atualização sobre avaliação econômica e cálculo do valor justo
75ª. edição – outubro de 2018.

 Artigos de responsabilidade de Wulaia Consultoria*

 

Os fundos de private equity (PE) pagam por sinergia?
Em setembro de 2018, Hammer, Janssen, Schweizer e Schwetzler publicaram um artigo intitulado “Do Private Equity Firms Pay for Synergies?”. O objetivo desse estudo foi verificar se esses fundos de investimento pagam um adicional de preço por potenciais sinergias. Isso para confrontar a crença de que apenas investidores estratégicos pagam por sinergias, enquanto que investidores financeiros não costumam considerar ganhos de sinergia na formação do preço de oferta.
O trabalho desses pesquisadores, do HHL Leipzig Graduate School of Management, na Alemanha, analisou uma amostra de 1.155 transações ocorridas entre 1997 e 2010. Essas transações foram analisadas a partir de uma série de regressões com base em múltiplos de EV/EBITDA e EV/Sales, bem como agrupamento por setor, tamanho e outros indicadores, incluindo o tempo entre diversas transações realizadas pelo mesmo fundo PE (private equity).

Segundo os autores, foram encontrados resultados robustos que demonstram que, sim, os fundos PE não só pagam por sinergia em suas transações, como o montante de sinergia é no mesmo patamar pago por investidores estratégicos. Esse resultado foi observado para transações classificadas como buy and build, nas quais o fundo PE vai atuar como um consolidador do segmento.

Os percentuais de sinergias foram testados considerando vários fatores como poder de negociação, transação competitiva (muitos potenciais adquirentes), tamanho e experiência do fundo e outros fatores que estão detalhadamente descritos no artigo.

Os autores concluem que, quando os fundos PE adotam a estratégia de comprar e construir (ou consolidar), pagam por parte das eventuais sinergias que esperam obter com a nova plataforma de negócios. Nas situações nas quais os fundos PE competem com investidores estratégicos, também há pagamento de parte do valor da sinergia, já que o vendedor aumenta o valor que consegue receber na transação. Por fim o trabalho conclui que o prêmio de sinergia pago pelos fundos PE pode chegar até a 50% do valor da sinergia estimada.

 

Você conhece a história da avaliação?
Em minhas leituras sobre a avaliação, encontrei um artigo sobre a história da profissão de avaliador publicada em 2008 por James Catty. Segundo o autor, o ser humano começou a avaliar quando começou as trocas de bens, produtos e serviços: caçadores, colhedores, agricultores e outros trocavam entre si o fruto do seu trabalho, começando assim a relação de troca no mercado ou feira. Ou seja, um objeto tipo “A” vale dois objetos tipo “B”, lançando as bases do método dos múltiplos (no inglês market approach – muito apropriado!)

Já na antiguidade clássica, Platão afirma que o conceito de valor é uma das questões mais difíceis de responder. Posteriormente, Sêneca afirma que o valor de um objeto é aquele que  as pessoas estão dispostas a pagar por ele – em latim: Res tantum valet quantum vendi potest, que é o fundamento do market approach! Já os romanos taxavam as propriedades de uma família com base no valor total do seu patrimônio que era determinado por especialista. Olha aí os primeiros avaliadores!

Caminhando para a idade média na Europa, a terra era negociada com base na renda futura que pudesse gerar ao seu proprietário, definindo assim o segundo método de avaliação: o income approach, que em português, é método da renda e é aplicado hoje em dia por meio do fluxo de caixa descontado. Assim, naquela época, como hoje, terras mais produtivas eram vendidas a valores superiores à de terras improdutivas.

Ainda na idade média, o preço dos produtos como pão, utensílios domésticos e outros eram rigidamente controlados e não podiam ser superiores ao custo de produção (mão de obra e matéria-prima) e aí está o terceiro método de avaliação: o cost approach ou custo de reprodução.  Naquela época, os produtores deveriam vender seus produtos pelo justo valor para remunerar o custo de produção. Alguma semelhança com as tarifas reguladas de hoje em dia?

O autor cita ainda o desenvolvimento do conceito de risco e retorno ao longo do tempo.

 

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