Última parte sobre as dicas e cultura do grande arquipélago

Maria Helena Magalhães Sarmento Afonso (*)

maria helena afonso professoraHoje, apresentamos a nossa terceira e última parte sobre a Indonésia. Teríamos muito mais o que falar, inclusive sobre o problema que ocorreu com Timor Leste, mas deixo esse assunto para um artigo específico.

O conhecimento sobre outros países nos torna mais competitivos e “empregáveis”. Além disso, ler e estudar sobre os outros pode ser encarado como uma viagem gostosa e interessante, sem sair do lugar. É óbvio que conhecendo “in loco” é bem mais agradável e proveitoso, mas como não é sempre que podemos fazer isso, ler e ver filmes podem ser ferramentas alternativas.

ALGUNS MODELOS DE ORIENTAÇÃO CULTURAL

Quando falamos em cultura, há sempre um número infinito de valores, normas e comportamentos possíveis. E para que possamos dar conta desse processo, foram criados modelos de orientação cultural por especialistas em comunicação e consultores interculturais.

Com referência à Indonésia, temos alguns pontos a considerar:

DISTÂNCIA DO PODER

Essa dimensão é definida como os indivíduos vêm sua relação com o poder, com a hierarquia. Na Indonésia, eles são altamente dependentes da hierarquia, com direitos definidos. Líderes são autoritários, gerentes controlam e delegam. O poder está centralizado e gerentes contam com a obediência dos membros de suas equipes.

Os empregados esperam que lhes digam o que fazer e como. O controle é esperado e os gerentes são respeitados por sua posição.

A comunicação é indireta e os feedbacks negativos são evitados. Grande distância do poder também significa que os colaboradores indonésios esperarão ser claramente dirigidos pelo chefe ou gerente.

INDIVIDUALISMO X COLETIVISMO

O ponto fundamental dessa dimensão é o grau de interdependência que a sociedade mantém entre seus membros. Ele tem a ver com a definição em termos de “EU” ou “NÓS”. Nas sociedades individualistas, espera-se que as pessoas olhem por elas e sua família, somente. Nas sociedades coletivistas, as pessoas pertencem a grupos que tomam conta delas, através de uma troca de lealdade.

A Indonésia é vista como uma sociedade coletivista, o que significa que eles têm uma alta preferência para agirem de acordo com os ideais do grupo ao qual pertencem. Percebemos também essa característica com referência a família no papel de suas relações. Se alguém pretende se casar na Indonésia, é importante que conheça a família da esposa, por que a família é muito importante para ela e se o homem quiser ser levado a sério, deve apresentar-se formalmente para os pais da garota. É inapropriado cortejar uma mulher e formalizar a relação sem informar os pais dela antes.

Outro exemplo de coletivismo na cultura indonésia é a equação entre a criança e os pais, e ela com os pais no futuro. Ambos estão comprometidos em tomar conta de cada um e o desejo dos filhos é tornar a vida dos pais o mais fácil possível quando eles crescem. Eles querem tomar conta dos pais e dar suporte até o fim da vida deles.

Existe um provérbio asiático que diz: "você pode ter outra esposa ou marido, mas nunca outra mãe ou outro pai. Essa lealdade à família é também aparente quanto ao fato de que as famílias indonésias cuidam dos mais velhos em casa, em vez de levá-los para qualquer instituição. Nas culturas individualistas, o foco é somente no núcleo familiar mais próximo.

EVITAR INCERTEZAS

Quando trabalhamos com pessoas que têm grande desejo de evitar riscos, devemos atuar de forma a minimizar as ambiguidades e a ansiedade que elas trazem sobre o futuro. Prazos e objetivos devem ser bastante explícitos. Pequenas propostas de mudança com uma estratégia bem comunicada. Ao contrário, as pessoas que têm pequeno desejo de evitar riscos, adoram uma aventura e exploração do desconhecido.

Essa dimensão tem a ver com o modo como a sociedade lida com o fato de que o futuro nunca pode ser conhecido: devemos tentar ter controle sobre ele ou simplesmente deixá-lo acontecer? Essa ambiguidade traz junto uma ansiedade e culturas diferentes têm aprendido a lidar com ela de diferentes modos.

A classificação da Indonésia quanto a esse quesito é considerada meio baixa. Isso significa que existe uma forte preferência na Indonésia, que segue a cultura javanesa de separar o eu interior do exterior. Quando a pessoa está chateada, é normal não demonstrar nenhuma emoção negativa ou externar raiva. Ela se manterá sorrindo e polida, não importa quão brava esteja por dentro. Isso também significa que manter o local de trabalho e as relações em harmonia é muito importante.

Para ler a parte final deste texto, acesse este link.

 

(*) Maria Helena Magalhães Sarmento Afonso é mestre em Comunicação, com pós-graduação em Sucesso Empresarial e Marketing Internacional e cursos de extensão em Marketing e Comércio Exterior na FGV. Coach certificada pela Integrated Coaching Institute. Diversos cursos no exterior sobre temas internacionais e interculturais. Palestrante internacional, professora de pós-graduação da Universidade Mackenzie e diretora da DBI Foreign Trade.