Reprodução parcial do artigo da Professora Maria Helena: Nossos ancestrais e as bebidas no decorrer dos milênios (*)

vinho20141116 170549A história do mundo pode ser contada e entendida através das bebidas que foram criadas ou descobertas no decorrer dos milênios.

O vinho tem grande importância histórica, pois o seu surgimento em tempos remotos tornou-o um produto que acompanhou grande parte da evolução econômica e sociocultural de várias civilizações ocidentais e orientais. Ao contrário da cerveja, o vinho transformou-se num ritual social incrivelmente elaborado e formal.

O vinho possui uma longínqua importância histórica e religiosa e remonta a diversos períodos da humanidade. Cada cultura conta seu surgimento de uma forma diferente. Os cristãos, embasados no Antigo Testamento, acreditam que foi Noé quem plantou um vinhedo e com ele produziu o primeiro vinho do mundo (“E começou Noé a cultivar a terra e plantou uma vinha.” Gênesis, capítulo 9, versículo 20). Já os gregos consideraram a bebida uma dádiva dos deuses. Hititas, babilônicas, sumérias, as histórias foram adaptadas de acordo com a tradição e crença do povo em perspectiva.

Cultivado ao longo da costa do Mediterrâneo, o vinho seria cultural e economicamente vital para o desenvolvimento grego. A história do vinho, no Brasil, inicia-se com o descobrimento do país em 1500 pelo navegador português Pedro Álvares Cabral. Relatos indicam que as treze caravelas que partiram de Portugal carregavam pelo menos 65 mil litros de vinho, para consumo dos marinheiros.

As primeiras videiras foram introduzidas no Brasil por Martim Afonso de Sousa, em 1532, na capitania de São Vicente. Além do consumo do vinho estar associado principalmente às grandes festas, livros antigos também comprovam que a bebida já fora utilizada inúmeras vezes como uma prática médica, tendo sido recomendada para o tratamento de doenças como: asma, constipação e indigestão, e ainda para questões terapêuticas e dermatológicas.

Ao longo da história, o vinho ainda apresenta diversas outras formas de utilização para as sociedades, tendo sido associado a uma bebida afrodisíaca, adotou um sentido romântico, e passou a ser muito utilizado entre os casais. Por outro lado, o vinho também foi visto como uma bebida sagrada, capaz de proporcionar a libertação da alma e o encontro com os deuses, como apontado por diversas religiões.

O consumo de bebidas alcoólicas é fenômeno encontrado em praticamente todas as civilizações e todas as épocas. Ao entrarem em contato com a civilização asteca, os espanhóis descobriram que os índios bebiam um fermentado alcoólico denominado pulque. Da mesma forma, James Cook comprovou que os polinésios consumiam um destilado a que chamavam kava.

A religião também exerce uma grande influência sobre a tradição do consumo de bebidas alcoólicas e fatores culturais. Os baixos índices de consumo de álcool nos países muçulmanos são um exemplo clássico da religião como fator de proteção para a sociedade.

Vários personagens famosos fizeram odes à bebida, mas escolhemos Miguel de Cervantes, o autor de D. Quixote para encerrar nosso artigo: “Eu bebo quando tenho ocasião e às vezes quando não tenho ocasião”.

Leia o texto completo no link da Professora Maria Helena.

(*) Maria Helena Magalhães Sarmento Afonso é mestre em Comunicação, com pós-graduação em Sucesso Empresarial e Marketing Internacional e cursos de extensão em Marketing e Comércio Exterior na FGV. Coach certificada pela Integrated Coaching Institute. Diversos cursos no exterior sobre temas internacionais e interculturais. Palestrante internacional, professora de pós-graduação da Universidade Mackenzie e diretora da DBI Foreign Trade.